“Odeio o celular da minha mãe porque ela sempre está com ele”

“Odeio o celular da minha mãe porque ela sempre está com ele”

“Odeio o celular da minha mãe porque ela sempre está com ele”

Nenhum comentário em “Odeio o celular da minha mãe porque ela sempre está com ele”
0 Flares Facebook 0 Twitter 0 Google+ 0 0 Flares ×

 

O debate sobre uso dos celulares e cuidar dos filhos é algo que está em foco há anos, sobretudo desde que as crianças que chegam ao mundo nascem rodeadas de tecnologia. Por que os pais não conseguem, então, se desconectar?

Entre outras razões está a falta de conciliação porque embora em muitos empregos seja possível antes, a jornada de trabalho continua, ou simplesmente pelo hábito de usá-los constantemente. Olhamos o celular, o email, o Twitter, relegando o tempo de qualidade ou a oportunidade que temos de ter tempo de qualidade com nossos filhos. Quanto a isso, nosso pequeno aluno acrescentava em sua carta: “Odeio o celular de minha mãe e gostaria que ela não tivesse um. É a invenção que menos gosto”. Resumindo, o menino acha que a pior invenção é o celular da mãe porque ela o usa o tempo todo. “Eu o odeio”, deixa claro na resposta.

Entre os comentários que o post de Beacon recebeu no Facebook cabe destacar: “Bom… Veja o que sai da boca das crianças, somos todos culpados”; “Também sou culpada (…) logo serão adolescentes e se transformam em nós, tão maus como nós porque é o que viram” ou “No nosso caso, abrimos um debate na sala de aula e todos responderam que os pais passavam mais tempo no Facebook do que falando com os filhos. Foi algo revelador para mim”. Pais ou professores perfaziam a maioria dos que deram opinião sobre o uso excessivo dos celulares.

Estudos endossam essa percepção das crianças

Estudos sobre essa questão têm interessado muito os pesquisadores que há alguns anos avaliam causas, consequências e a percepção dos mais pequenos em relação a essa realidade. Uma realidade que afeta muitas vezes sua autoestima, por se sentirem ignorados, e até seu desenvolvimento e crescimento. Já em 2016 um estudo publicado na revista científica Current Biology concluía que “o fato de os pais estarem focados no seu telefone ou se distraírem com ele quando brincam com os filhos poderia afetar as crianças no desenvolvimento de sua capacidade de atenção”. Outros citam a autoestima como a característica mais afetada. Um deles, publicado em 2014, constatou que “infelizmente, os pais que se distraem com seus dispositivos dificilmente estão sintonizados com filhos. Podem nem perceber o efeito nocivo ao ignorar as emoções de seus filhos e até podem estar prejudicando a autoestima da criança”.

Em 2017, a rede ABC na Austrália realizou uma maravilhosa reportagem em que entrevistava várias crianças sobre como e quanto seus pais usavam os celulares em casa. Entre as respostas cabe mencionar: “Eu me irrito quando usa”, “Quando meu pai está usando o celular e tento falar com ele, simplesmente me ignora” ou “Ele é folgado, e sempre está com preguiça na poltrona com seu telefone”. Sem dúvida esta reportagem mostrou a realidade de algumas famílias, e não é bonita.

Um último estudo constatou que nos Estados Unidos, por exemplo, 50% dos pais entrevistados descobriram que o uso da tecnologia afetava a interação com os filhos três ou mais vezes por dia, um fenômeno chamado por alguns de “tecnoindiferença”.

O que demonstram essas pesquisas, e muitas outras que foram realizadas, é que algumas crianças percebem indiferença por parte dos pais quando eles estão usando seus celulares. E fica evidente que a culpa não é tanto da tecnologia, mas nossa, dos pais, de como a usamos quando estamos com eles. E eles sofrem.

Referência: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/24/tecnologia/1527154323_038822.html




0 Flares Facebook 0 Twitter 0 Google+ 0 0 Flares ×

Deixe um comentário

Redes Sociais

Back to Top

0 Flares Facebook 0 Twitter 0 Google+ 0 0 Flares ×